Histórias em quadrinhos

Alberto Rostand Lanverly – Membro da Academia de Engenheiros Escritores de Alagoas

As revistas em quadrinhos apresentam histórias, cujos enredos são narrados, quadro a quadro, por meio de desenhos e textos que utilizam um discurso direto de fácil compreensão. Data de 1890 a primeira vez, no mundo, em que os gibis passaram a circular regulamente como uma forma de instrumento literário. A partir de então, Zorro, Mickey, Turma da Mônica, Zé Carioca, Mandrake e tantos outros astros e atrizes embalaram os sonhos da mocidade do Brasil e do Mundo.

Em minha concepção, contudo, os precursores destes instrumentos de leitura foram os egípcios, quando, em suas construções maravilhosas, marcavam as superfícies com símbolos os mais variados, que, posteriormente, traduzidos, legaram aos pósteros a magia de uma civilização única, especialmente no que diz respeito a conhecimentos e crenças sobre o mundo dos mortos, mistérios dos céus e conquistas, no pavilhão dos vivos.

Percorrendo as tumbas do Vale dos Reis, na antiga capital, Tebas, atual Luxor, verifica-se que, em ambiente distinto do sarcófago, onde repousavam os restos mortais do Faraó, existia outra sala, com paredes revestidas em ouro, e, nelas, inúmeros quadrinhos com hieróglifos que, conexos, representavam, tanto as receitas dos alimentos que Sua Majestade mais apreciava, como também a descrição dos períodos de colheita de sementes, das fases da lua, das características do Rio Nilo, e, até, diversificadas posições de praticar sexo, além das roupas que se deveria vestir, e, evidentemente, a formula secreta a ser desvendada por sua alma para, mais uma vez, retomar o corpo embalsamado.

Na gruta destinada ao Rei Menino Tutankamon, escavada em uma rocha, foram encontradas milhares de peças intactas, todas de sua propriedade, que deveriam ser usadas, por ele, em uma nova fase existencial. Contudo, o que mais chama a atenção juntamente com a máscara, tão conhecida de todos através dos livros de história, é seu trono, integralmente forjado em ouro, trazendo, no espaço destinado ao descanso de seus pés, quadrinhos, não somente com as imagens dos inimigos, mas, contando suas histórias de vida, seus pontos virtuosos e negativos. Pisando-os sempre, o Faraó Tut jamais haveria de esquecer o quanto o Egito lhes deveria reservar.

Vislumbrando as paredes das construções, ainda em boas condições, pode-se, não somente conhecer, mas entender a história de um povo que poderia ser comparado a extraterrestres, se considerarmos todas as maravilhas que edificaram e conceberam, há cinco milênios atrás, e que, ainda hoje, geram estupefação em quem as conhece. Tanto em Edfu, onde está o exuberante templo de Horus, quanto em Kom Ombo, único espaço religioso egípcio dedicado a duas divindades: Sobek, o crocodilo, e Haroeus, o falcão, além do obelisco inacabado que, com 42 metros de comprimento, nunca ficou de pé, por não haver suportado seu próprio peso, é de respirar-se o imponderável.

Os quadrinhos, com imagens e letras, encontrados nestes monumentos, retratam a beleza de uma longínqua era, da mesma forma que os gibis fazem renascer a saudade da meninice, por representar uma época boa, na vida de qualquer ser humano.